O QUE SE ESPERA DO FORMADOR DE LÍDERES
Relacionamento - “Um irmão ajudado pelo irmão é como uma cidade fortificada: é forte como os ferrolhos de um castelo”. Pv. 18.19.
Eugstom - “A liderança cristã é a arte ou ciência de conseguir fazer as coisas através das pessoas”.
O relacionamento entre líder e liderado é a base para o início de um proveitoso crescimento como fator indispensável, que evidencie real interesse pelos liderados.
Motivação - Respeitar o potencial de cada um, que nunca é igual. O líder há de ser sensível ao potencial de cada liderado até desenvolvê-lo sem comparações, que geralmente são constrangedoras.
Desenvolver as limitações dos liderados, evitando as preferências pelos melhores, que geralmente afundam os limitados nas suas frustrações. Todos os méritos e as particularidades devem ser desafios para o líder.
Certo empregado que trabalhava, há cerca de 12 anos, numa mesma empresa, viu ser contratado um outro para fazer, também, as mesmas funções. Esse segundo, com um pouco mais de um ano na empresa, obtivera duas promoções. O antigo empregado, sentindo-se injustiçado, dirigiu-se à direção para questionar a falta de isonomia. O diretor após ouvi-lo deu-lhe uma tarefa, pois desejava dar uma recepção típica para os diretores das suas filiais em todo o país; pedindo-lhe que fosse ao comércio e encomendasse determinada quantidade de duas determinadas frutas específicas, que por sinal estavam fora de época. Após longa pesquisa o empregado queixoso informa ao diretor que não pode atendê-lo, uma vez que as frutas inexistiam nesta época. O diretor entregou ao outro empregado, o promovido, a mesma tarefa. Após a busca, tal como o seu colega, não encontrou as solicitadas frutas, mas trouxe um relatório diferente. Como as frutas estavam fora de época, ele tomou a iniciativa de encomendar outras duas espécies tão típicas e saborosas quanto as outras. O diretor explicou ao empregado queixoso a diferença entre os dois.
O líder como incentivador de decisões, mesmo que não sejam as esperadas, tira o liderado da dependência para o novo desafiador mundo de andar com suas próprias pernas.
A tarefa do pastor há de transcender a expectativa do liderado de ser um mero cumpridor de tarefas estereotipadas.
Nancy Dusilek (7) cita dez mandamentos de relações interpessoais com os liderados: falar, sorrir, identificar nominalmente, ser amigo, ser cordial, mostrar interesse, generosidade, elogiar com critério, respeitar os sentimentos, ouvir e eficácia. 7
Tudo isso resulta em motivação, alto nível de aceitação dos líderes em desenvolvimento.
Descobrir potencialidades - Jesus, modelo de liderança, tomou doze homens sem currículo, de forma, aparentemente, inadequada para os seus fins. Das mais variadas origens e potencialidades, os desenvolveu, transformando-os em notável liderança capaz de dar prosseguimento a mais importante missão, de proclamar e ensinar a sua mensagem totalmente nova, que provocaria as mais contraditórias reações. Transformou aqueles homens no seu glorioso “Colégio Apostólico”, consciente de que seu tempo entre eles era extremamente curto e que em breve os deixaria uma difícil liderança, para a qual não seria admitida falha, em meio a tantas adversidades, num mundo de contrastes, violência e expectativas religiosas.
Ele é o padrão máximo para os pastores formadores na capacitação de líderes.
Jesus tinha pressa na formação dos seus discípulos, pois teria pouco tempo com os apóstolos.
“... ainda um pouco de tempo estou convosco...” - Jo 7.33 - Os discípulos precisavam da consciência de que logo teriam que andar pelos seus próprios pés e decidir com sabedoria. A rotina dos pescadores de Genezaré tomaria dimensões globalizadas da pescaria de homens.
A formação de líderes transcende ao empirismo da liderança nata para associar a técnica e ao sentimento, como norma de relacionamento, comunicação, necessidades e responsabilidade.
Deus tem nos abençoado em nosso ministério à frente das Igrejas as quais nos confiou o seu pastoreio e, de quando em vez, algum colega e amigo nos apresenta com destaques, da construção de dois grandes complexos imobiliário/eclesiástico. Mas o que me realiza, dentre outras bênçãos, é a capacitação de líderes, que foi feita em profusão, em condições de continuar a obra do Senhor, sem solução de continuidade.
Em qualquer grupo, há sempre um EU ou vários que se destacam mais do que percebemos, que precisam ser desenvolvidos em suas potencialidades.
Na Bíblia encontramos alguns líderes que se distinguiram em importantes tarefas, evidenciando suas potencialidades, tais como:
1. Gadareno – Lc 8..39 - Jesus viu no gadareno o potencial de proclamador das boas novas, abrindo mão de sua presença junto a si e aos Apóstolos para pregar ao povo de Gadara. “Volta para tua casa e conta tudo o que Deus te fez e ele se retirou, publicando por toda a cidade tudo quanto Jesus lhe fizera”.
2. Marta - Lc 10. 38-42, líder da família. Jesus não desestimulou a sua liderança, mas mostrou quais deveriam ser as suas prioridades. Nascia ali uma notável mulher de fé. Elogiou sua irmã Maria, mas capacitou a líder Marta na forma que somente o Mestre sabia e podia fazer.
3. Mulher Samaritana - Jo 4.1-3 De mulher cheia de remorsos por sua vida pecaminosa e consciência condenatória, de provedora de água para a família em anunciadora do Messias com a ênfase de uma líder que despontava para a história, saindo do estado mórbido do pecado para o glorioso quadro dos seguidores de Cristo.
4. Neemias - o notável líder no lugar errado, porém no tempo certo, sai da copa do rei para ser um grande herói da história bíblica. Diferente da insensatez dos cruzados, forma uma tropa de elite com edificadores de muros e guerreiros. ”O coração do povo se inclinava ao trabalho” Neemias 4.6
5. Moisés - humildemente ouviu os conselhos de Jetro e com a sabedoria de líder autêntico, com formação de príncipe na mais avançada cultura da época, preparou líderes para grupos de dezenas a milhares. Ex 18.17-25
Recrutamento e preparo – Em Mt 4.18-22, Jesus chama quatro pescadores, Pedro, André, Tiago e João, que comporiam um terço do Colégio Apostólico. Quem de nós recrutaria pescadores sem instrução especializada, pobres e até certo ponto rudes, sem qualquer posição social de relevo. Jesus não precisava que eles provassem em nada suas habilidades, pois ele os potencializaria, mas para nós não havia lógica. Jesus burilou, não só aqueles quatro, mas todos doze, na sua divina mentoria, em apenas três anos. Jesus precisava de homens capazes para enfrentar as perseguições, a falta de pão e até de um lugar para repousar as suas cabeças, como no dizer do poeta Gióia Júnior, tudo que ele tinha era emprestado.
Ainda hoje, Jesus, com sua visão divina, continua recrutando líderes e entregando a nós pastores a sua mentoria, certo que muitos deles crescerão mais do que os seus mentores, pois a visão dos pastores deve ser a de João Batista que não buscava qualquer glória, desde que a glória de Jesus fosse proeminente.
O pastor na sua tarefa de formar líderes irá encontrar muitos que, embora desejem servir, se omitem pelo autoconceito de despreparo e desqualificação e, conseqüentemente, a Igreja perde grandes líderes e é obrigada a escolher pessoas inadequadas, exatamente por falta do preparo apropriado, o grande desafio do pastor.
A seleção e o conseqüente preparo é uma tarefa sem fim que a Igreja e o Reino de Deus esperam do seu pastor, embora não sendo um faz tudo, o que é correto, sabe usar gente competente para descobrir os diamantes in natura a serem transformados em destacados e reluzentes brilhantes.
Kenneth Kilinski e Jerry Wolfford apresentam quatro passos para esse garimpo:7
1. lista atualizada dos membros;
2. questionário mostrando perfil dos membros;
3. programa para a coleta de informações;
4. sistema para mantê-lo acessível e atualizado.
Os autores reconhecem que o meio mais satisfatório de colher informações é através de entrevista pessoal. Não existe substituto para uma entrevista pessoal, pois revela sentimentos além de fatos. Conta-se a história de um casal que freqüentava a Igreja assiduamente, o que fazia há vários anos como meros espectadores. Tanto o marido como a esposa eram de grande potencial, mas de personalidade tímida e modestos. Razão porque jamais se ofereceriam para qualquer serviço na Igreja. Estes, geralmente, são os melhores, pois, embora desejem servir, esperam o chamamento. Após muito tempo, o pastor descobriu que ele era engenheiro no campo da arte gráfica e o convidou para desenvolver um “poster” e logo estava trabalhando na Igreja, juntamente com sua esposa que era uma especialista na educação infantil e desenvolveram eficaz trabalho no campo da literatura infantil.
Alguns pastores costumam, mesmo que raramente, distribuir com os membros da Igreja, especialmente quando se aproximam as eleições internas, formulário para conhecer a capacidade e interesse dos membros da Igreja e as áreas nas quais se apresentam para servir.
Em princípio, como iniciativa e estratégia até que louvável, mas extremamente perigosa e até danosa na sua aplicabilidade, visto que, via da regra é mais frustrante do que eficaz, pois na sua quase totalidade não são utilizados. Desejar é uma coisa, mas a realidade é outra, pois não têm condições, embora em sua auto-avaliação sejam capazes. Instala-se uma expectativa por uma oportunidade que, sem preparo, obviamente nunca virá.
Na minha juventude, o meu pastor fez isso e se deu mal. Um senhor que possuía certas deficiências mentais se habilitou para todas as funções, inclusive dirigente da União Feminina, exceto pastor, mesmo porque não fora incluído o item pastorado no formulário.
Não existe melhor grupo com tanta fartura de habilidades, quer sejam naturais ou reveladas, como o fantástico manancial que é a Igreja, por se tratar de possuidores de, pelo menos, um dom espiritual (I Co 12.7) e ser chamado para servir (Ef 4.12).
Paradoxalmente na medida em que a Igreja passa da categoria de pequena ou média para grande, o percentual de participação diminui significativamente. “Podemos pagar? Por que faremos?” Conseqüentemente o nível espiritual e a alegria de servir também caem e, o que é pior, acompanhados de frieza espiritual, o que é facilmente explicável: não há preparo, alistamento e nem oportunidade de serviço.
7 – Kilinski, Kennrth e Wolfford, Jerry C. - Organização e Liderança na Igreja Local
A tendência natural é a indiferença. Fenômeno este encontradiço nas assembléias administrativas dessas Igrejas – ninguém faz, ninguém liga para o que está sendo feito, o que tem levado muitos pastores a optar por assembléias semestrais, anuais ou até bienais sob alegações de desinteresse, indiferença e falta de atrativo, o que é, na realidade, a colheita da sua própria semeadura.
LÍDERES PREPARADOS PARA HOJE
A tarefa pastoral é de libertar a Igreja e sua liderança do egoísmo e da acomodação, como instrumento capaz de conduzir seu rebanho na formação de líderes com visão, talvez nunca antes sonhada, a descortinar novos horizontes de fé e serviço cristão, a navegar e vencer as águas turbulentas do mundo pós-moderno.
O pastor e teólogo Dietrich Bonhoeffer (8) com a teologia da comunhão cristã, combate tanto o egoísmo, o mal dos séculos, evidente no tribalismo do mundo pós-moderno, nos leva à chave do amadurecimento espiritual e ao preparo de liderança competente para hoje e amanhã, que dependam e creiam em Cristo, o cabeça da Igreja e mediador dos nossos relacionamentos com o Pai.
Eficiência e eficácia – A Igreja de Cristo é desafiada a ser cada vez mais eficiente, com resultados eficazes. O líder pode ser 100% eficiente, porém 0% eficaz.(9) O eficiente é facilmente identificado como o que faz as coisas certas, costuma resolver os problemas, salvaguardando recursos e cumprindo tarefas, mas não apresenta resultados compensadores, pois fazer as coisas certas não representa fazer certo as coisas. Resolver problemas não é o mesmo que produzir alternativas; salvaguardar recursos está longe de otimizar a sua utilização, muito menos cumprir tarefas e obter resultados. Um é eficiência, outro é eficácia. Na realidade não pode haver eficácia sem eficiência e vice-versa.
Gestão participativa - Em Atos 15, vemos uma polêmica sobre circuncisão dos recém nascidos judeus cristãos, o que se destaca é uma participação geral da Igreja de Jerusalém, numa identificação da liderança com os demais membros, bem ao modo batista, pelo menos deveria ser.
Essa gestão compartilhada é resultado do esforço conjugado com vistas à consecução dos propósitos do grupo, como destaca Lawrence Appley, ex-presidente da American Mannagement Asociation : “Trabalhando com outras pessoas e por intermédios delas, é como o dirigente realiza o seu trabalho “.
O Pastor que souber trabalhar participativamente fará mais que obter sucesso. Estará desenvolvendo os seus líderes, como fizeram Paulo, Barnabé, Pedro e Tiago, quando a congregação sepultou, definitivamente, a tese dos fariseus sobre a circuncisão para os filhos dos cristãos.
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1 - Azevedo, Irland P. – Mentoria Mútua OPBB 2004
2 – Apostila Sólon Consultoria Empresarial
3 – Ibid
4 – Ibid
5 – Ibid
6– Dusilek, Nancy – Liderança Cristã
8– Shaw, Mark – Lições de Mestre
9 – Reddin, D.J. – Administração por Objetivos