Warning: include(includes/parte_cima.php) [function.include]: failed to open stream: No such file or directory in /home/httpd/vhosts/opbb.org/httpdocs/documentos/acidalia2008.php on line 9 Warning: include(includes/parte_cima.php) [function.include]: failed to open stream: No such file or directory in /home/httpd/vhosts/opbb.org/httpdocs/documentos/acidalia2008.php on line 9 Warning: include() [function.include]: Failed opening 'includes/parte_cima.php' for inclusion (include_path='.:.:') in /home/httpd/vhosts/opbb.org/httpdocs/documentos/acidalia2008.php on line 9 |
|
A VIDA É UM CONTO LIGEIRO... (Testemunhho em homenagem ao Pr. Waldemiro Tymchak) OPBB — São Luís, Maranhão17 de Janeiro de 2008 A vida é um conto ligeiro... No ano passado, eu estava acompanhada de meu marido quando participei de uma reunião como esta. Hoje, aqui estou sozinha. Deus levou a “delícia dos meus olhos”... Levou também outras pessoas queridas, como o Pr. Jader Charles Malafaia, o Pr. Olney Basílio Júnior, o Pr. Gérson Camargo, as missionárias Márcia Venturini e Analita Dias, o Pr. Darci Dusilek, o Pr. Altino Vasconcelos, e tantos outros... 2007 foi, sem dúvida, o ano mais triste de minha vida... Quando o Pr. Juracy Bahia pediu-me que orasse sobre o convite para falar aos irmãos, eu achei algo distante e impossível de acontecer. No início, eu nem tinha coragem de orar. Entretanto, como prometera, passei a orar, porém, praticamente implorando a Deus que não me autorizasse a dizer “sim”. Depois disso, sempre que me encontrava com o Pr. Juracy, eu me sentia desconfortável, com vontade de dizer logo “não”. Isso, porém, não me fazia sentir bem. Comecei, então, a falar com meus amigos, na esperança de ouvir conselhos para não aceitar o compromisso. Entretanto, com exceção de uma amiga e de meu filho, todos insistiram comigo para que eu o aceitasse. Insatisfeita, procurei meu pastor, o Pr. Manoel Xavier dos Santos Filho. Para minha total surpresa, ele me aconselhou a aceitar o desafio, dizendo que isso seria uma homenagem que eu faria ao meu marido. Quando ele assim se expressou, eu não resisti mais. Homenagear meu marido é o que eu quero fazer durante o resto de meus dias. Sem saída, comecei a pensar no que diria aos irmãos. Durante mais de 34 anos, o papel principal e mais importante de minha vida foi o de ajudadora do Pr. Waldemiro. Eu me realizei ao seu lado. Tudo o que eu fazia era conversado e combinado com ele. E agora? Como fazer? Pr. Juracy me falou do tema — “Unidade” —, deu-me o texto, umas dicas, e eu comecei a meditar e a orar. Certo dia, resolvi pegar a última Bíblia usada por Waldemiro para ler, especialmente, os trechos destacados por ele. Quando terminei a leitura, peguei a fita para marcar o lugar que acabara de ler. Antes de tirar a fita, olhei para ver o que ele tinha marcado e, com alegria, encontrei algo que eu estava procurando há algum tempo — o texto destacado, com uma observação: “epitáfio”. A minha alegria se deu porque, no Natal de 2006, Waldemiro tinha comentado que aquele texto daria um ótimo epitáfio. No entanto, nem eu nem as pessoas que estavam conosco nos lembrávamos mais do texto. Baseado nele (At 13.36), Nelson, nosso filho, escreveu o que constará da placa que colocaremos na sepultura de nosso amor: “Tendo, pois, servido ao propósito de Deus em sua geração, Waldemiro Tymchak (1937-2007), juntou-se àqueles cuja geração dedicou a vida a salvar, até que volte, com o corpo transformado, junto com Aquele que deu sua vida para salvar a todas as gerações”. A Bíblia de Waldemiro é toda riscada, cheia de observações, esboços etc. Meu filho disse que quem pega a Bíblia e os livros do pai pensa que ele acabou de se converter, tal a alegria e vibração de suas anotações. Depois que eu achei o texto do epitáfio, me animei a procurar o texto que o Pr. Juracy me dera como base, para ver se ele tinha feito alguma anotação. Quando abri o texto, lá estava um esboço completo! Sendo assim, mais uma vez, pude contar com a ajuda do meu amor. Resolvi então usar o esboço dele para dar um testemunho. Eu não sou nem pretendo ser palestrante ou pregadora. Tudo que fiz na vida foi visando a ajudar meu marido no seu ministério. No dia do seu sepultamento, eu recitei um trecho de um soneto, cujo final é uma declaração de aposentadoria compulsória: “... Um dia um cisne morrerá, por certo. Quando chegar esse momento incerto, no lago onde talvez a água se tisne, que o cisne vivo, cheio de saudade, nunca mais cante nem sozinho nade, nem nade nunca ao lado de outro cisne”. Assim, peço licença aos irmãos para apresentar um testemunho. Por favor, ouçam-me com a compreensão, paciência e o carinho com que ouvem suas ovelhas. O meu testemunho será inspirado na oração de Jesus, no evangelho de João, capítulo 17, e terá como título: PRATICANDO A UNIDADE Em sua oração pelos crentes, Jesus diz: “para que todos sejam um, Pai, como tu estás em mim e eu em ti. Que eles também estejam em nós, para que o mundo creia que tu me enviaste. Dei-lhes a glória que me deste, para que eles sejam um, assim como nós somos um: eu neles e tu em mim. Que eles sejam levados à plena unidade, para que o mundo saiba que tu me enviaste, e os amaste como igualmente me amaste” (Jo 17.20-23). I. UNIDADE COM DEUS Eu ouvi falar a respeito do Pr. Waldemiro Tymchak através de minha avó materna. Ela era leitora assídua de “O Jornal Batista” e amava os artigos escritos por ele. A série “Eu chorei na Rússia” ela aguardava com ansiedade e tanto comentava sobre ela, que todos a queriam ler também. Naquela ocasião, minha avó destacava as qualidades de seu articulista predileto e se encantava com a sua humildade, espiritualidade e compromisso com Deus. Quando eu conheci Waldemiro pessoalmente, constatei que minha avó tinha razão. Ele era excepcional, mas dentre todas as suas qualidades, uma se destacava: ele primava por imitar a Jesus Cristo. Como eu pude observar isso? 1.Vendo sua dedicação à leitura da Bíblia Ele empregava grande parte de seu tempo na leitura da Bíblia. Ele costumava pegar um pequeno texto de cada vez para ler e meditar. Com isso, ele lia o texto várias vezes e chegava a decorá-lo; mas o seu objetivo não era simplesmente esse. Ele dizia que, com essa prática, ele incorporava a Palavra de Deus e, assim, seus pensamentos e atitudes eram aperfeiçoados. 2.Orando com ele e ouvindo suas orações em público Eu amava orar com ele e ouvir suas orações. Ele me fazia sentir diante do trono de Deus. É algo que eu não posso explicar. Interessante que várias pessoas têm dito a mesma coisa. Uma delas foi o Pr. Xavier. No culto de despedida, no dia 20 de abril de 2007, ele disse que não perdia a oportunidade de mandar Waldemiro orar. A oração foi uma marca na minha vida com Waldemiro e no ministério dele. Ao nos casarmos, fizemos o propósito de sempre orar de mãos dadas e, durante os 34 anos e três meses de vida conjugal, nós fizemos isso. Algumas vezes, como qualquer casal, nós tínhamos aborrecimentos, inclusive, um com o outro; mas jamais dormimos sem conversar, nos perdoar, orar de mãos dadas e deitar abraçados. Por meio da oração, nós tínhamos comunhão um com o outro e ambos com Deus. Diversas vezes, Deus nos falou e nós experimentamos na prática a unidade com Deus. Quando nós estávamos orando sobre a possibilidade de ele assumir a Junta de Missões Mundiais, antes mesmo de a Junta se reunir, Deus nos revelou o resultado. No início do mês de junho de 1979, nós estávamos orando. Ele, no escritório, e eu, no quarto. Após a oração, eu fui ao encontro dele e me deparei com ele à minha procura. Eu disse a ele: “Meu bem, eu tenho algo a lhe dizer”. Ele disse: “Eu também. Diga você primeiro”. E eu disse: “Enquanto orava, eu tive a certeza de que você será o novo secretário da Junta”. Ele olhou para mim e disse: “Foi exatamente isso que aconteceu comigo”. Naquele momento, nós oramos e, sem falar nada com ninguém, aguardamos a convocação da JMM, pois já tínhamos recebido a de Deus. Na Convenção de 1997, que se reuniu em Salvador, nós tivemos uma experiência marcante. Na hora em que Waldemiro entrou no Teatro Castro Alves para falar à União Feminina, um funcionário da Junta chegou apavorado e disse: “Pr. Waldemiro, o material que nós preparamos para as senhoras está em Piatã, no depósito da CBB. Eles trouxeram o material errado”. Waldemiro deveria falar dentro de uma hora, mais ou menos, e não admitia não ter o material em suas mãos. Ele olhou para mim e me perguntou: “Você tem como trazer esse material a tempo?”. Meio atônita, eu disse: “Sim, pode ficar tranqüilo, mas ore para que tudo dê certo”. Eu precisava de um carro grande, de alguém para ajudar a carregar o material e de fazer tudo em tempo recorde! Saí do teatro clamando a Deus por misericórdia e disposta a pedir carona ao primeiro que passasse com um carro grande na minha frente. Quando cheguei à porta do teatro, vi um amigo de mocidade, da Igreja Sião — Francisco Perrelli —, passar numa caminhonete com dois homens dentro. Fiz sinal para que ele parasse. Ele já foi me perguntando: “Do que é que você precisa?”. Eu lhe respondi: “Preciso pegar um material em Piatã e trazer para cá, agora!”. Ele abriu a porta do carro e me convidou para entrar. Fomos voando! Pela graça de Deus eu cheguei a tempo de entregar o material para que o pessoal da Junta e outros voluntários o distribuíssem, após a mensagem. Depois dessa providência, eu entrei no auditório e vi Waldemiro subindo ao púlpito. Eu fiz um sinal de positivo para ele e ele me deu um sorriso com uma piscadinha de olho, que me elevou ao sétimo céu! Que sorriso lindo tinha o meu amor!... 3.Vendo sua humildade e submissão à vontade de Deus Waldemiro não fazia nada, não tomava nenhuma atitude sem buscar a vontade de Deus. Uma das coisas de que eu mais tenho sentido falta é de conversar com ele e de ouvir seus conselhos. Sempre que eu precisava tomar uma decisão, buscava a opinião dele. Eu sentia segurança e paz, porque via nele um homem que privava de intimidade com Deus. II. UNIDADE COM A FAMÍLIA Waldemiro se casou aos 35 anos de idade. Ele dizia que queria ter uma família feliz e abençoada, por isso não podia se precipitar. Ele se apaixonou por mim à primeira vista e orou de joelhos pedindo a Deus que me fizesse sua esposa. Nossa história de amor é a mais linda que eu conheço. Nós achávamos todas as histórias de amor sem graça e muitas vezes saíamos do cinema meio frustrados com o que víamos. Certo dia, eu disse a ele: “Meu Bem, nós achamos as histórias de amor sem graça porque a nossa história foi escrita por Deus e nenhuma outra se aproxima dela”. Quem sabe um dia eu escreva um romance... Nós nos casamos no dia 20 de janeiro de 1973, e experimentamos o céu aqui na terra durante 34 anos e 3 meses. Aliás, eu tenho dito que não vivi, mas saboreei 34 anos e 3 meses ao lado da “delícia dos meus olhos”. Como conquistamos a unidade familiar? 1.Orando juntos Como disse, aceitando o conselho do Pr. Valdívio de Oliveira Coelho, desde o primeiro dia de casados, oramos de mãos dadas. Em nossas orações, não deixávamos de suplicar a Deus que o amor que nos unia um ao outro e depois, o que nos unia aos nossos filhos, honrasse e glorificasse o nome de Deus. Acho que conseguimos. O nosso amor era admirado por todos que nos conheciam. Pudemos testemunhar muitas vezes apenas falando do nosso relacionamento um com o outro, com os nossos filhos e com Deus. 2.Cultivando o amor conjugal Posso afirmar que Waldemiro me amou como Cristo amou a igreja e, por isso, me fez a mulher mais feliz deste mundo, cumprindo a promessa que fizera quando me pediu em namoro. Ele me admirava, gostava de destacar qualidades que eu nem achava que tinha, e de elogiar. Tudo o que eu fazia, ele achava maravilhoso. Quando algo lhe desagradava, ele me chamava para conversar e, com muito carinho, mostrava o meu erro, levando-me a repará-lo. Jamais elevou o tom de voz comigo; não perdia a oportunidade de me dizer palavras lindas, de me abraçar, beijar, me dar flores, chocolates etc. Por causa de suas viagens, nem sempre podíamos comemorar as datas de acordo com o calendário; mas jamais deixamos de festejar a vida, mesmo quando enfrentamos a morte! Em nossa casa, nós não perdíamos a oportunidade de usar a melhor louça, as toalhas bordadas, de dizer o quanto nos amávamos, de celebrar o nosso amor; enfim, não deixávamos nada para uma “ocasião especial”. Ocasião especial era o presente, quando nos encontrávamos, quando encontrávamos com os nossos filhos, nossos amigos. Ocasião especial era a vida compartilhada num só pensamento, numa só atitude, num só coração e mente, em sincronia e unidade com Deus e com o próximo. O amor que ele me dedicava suscitava em mim o desejo de me submeter a ele, como ao Senhor. Eu não pensava em mim; só nele e em suas necessidades. Minha maior alegria era servi-lo em qualquer atividade. Ele sabia que podia contar comigo para qualquer coisa e em qualquer circunstância. Nossa admiração um pelo outro era evidente. Algumas pessoas observaram que, quando ouvia meu marido falar, eu me transportava para outro mundo. Pelo menos duas vezes, que eu me lembre, o Pr. Ebenézer Soares Ferreira nos disse que, enquanto Waldemiro pregava, ele ficava olhando para mim, para o jeito com que eu olhava o meu marido. Realmente, eu o admirava profundamente e me considerava privilegiada por ser sua esposa. Eu dizia que ele já era a antecipação de meu galardão. Depois, ele passou a dizer isso de mim também. O fato é que um era a delícia dos olhos do outro! Hoje, quando eu vejo facetas da personalidade de Waldemiro nos nossos filhos, eu louvo a Deus! Acho maravilhoso que os meninos se pareçam com o pai! Uma verdadeira bênção! Quantas mulheres podem reagir dessa maneira? Creio que o segredo da felicidade conjugal está em o homem amar a esposa como Cristo amou a Igreja, e a mulher se submeter ao marido como ao Senhor. Acho impossível uma mulher não se submeter ao marido, se ela for amada como Cristo amou a Igreja, da mesma forma que é impossível o marido não amar a esposa, se ela se submeter a ele como ao Senhor. Infelizmente, o inimigo tem entrado nos lares cristãos pela porta principal, com a conivência do líder espiritual da família. Os homens estão sendo omissos, a exemplo de Adão. Assim, a mulher está deixando o pedestal de ajudadora para competir com o homem. Eu digo pedestal, porque não existe lugar mais importante do que o de ajudadora, pois foi esse o papel dado por Deus à mulher. Há uma mensagem de Peter Marshall, traduzida pelo meu querido e inesquecível Pr. José dos Reis Pereira, chamada Guardas das Fontes, que ilustra muito bem o que acontece quando a mulher deixa o seu posto sagrado. Os irmãos devem estar atentos e não permitir essa distorção nem em seus lares nem em suas igrejas. Eu sei que a Constituição do país acabou com a figura do cabeça do casal, mas a Constituição não tem poder para revogar a Palavra de Deus. Waldemiro era intransigente no zelo pela família. Certo dia, um jovem, amigo dos nossos filhos, começou a defender que o crente pode perder a salvação. Waldemiro expôs seu pensamento calmamente, mas o rapaz, um tanto dogmático, continuou discordando dele. Nesse momento, Waldemiro mandou que ele se calasse, e disse que era ele o líder espiritual da família e que não permitiria que ninguém interferisse, pois ele tinha responsabilidade diante de Deus! Eu trabalho numa vara de família e vejo no dia-a-dia a degradação da família — homens omissos, mulheres frustradas, lares derrotados, pais e filhos na prostituição e nas drogas. E, infelizmente, muitas vezes, em vez de fazer com que o mundo nos imite, nós imitamos o mundo. Certo dia, uma colega de trabalho me pediu um conselho sobre sua vida sentimental. Ela começou contando o problema e, no decorrer da narrativa, disse que dormiu na casa de um amigo que morava só, com ele na cama. Eu fiz uma cara de espanto e ela completou: “Mas eu impus respeito e ele não me tocou!”. Estarrecida, interrompi e disse: “Querida, eu acho que você procurou a pessoa errada para se aconselhar. Pela minha formação, eu deveria ter nascido no tempo do lampião de gás. Certamente você ficará escandalizada se eu disser que eu e meu marido fomos os primeiros e únicos na vida um do outro; que eu amo o meu marido e gosto de servir a ele e à minha família, nos mínimos detalhes. Por exemplo: não deixo meu marido sair, se os seus sapatos não estiverem brilhando, e eu mesma faço questão de limpá-los; amo fazer um suco bem gostoso e levar para o meu marido, e outras coisas mais”. De repente eu olhei para ela e ela estava chorando convulsivamente. Eu fiquei espantada, sem entender. Ela, então, olhou para mim e disse: “Eu também queria ser assim... Mas eu não tive a sorte de encontrar um marido como o seu; eu queria encontrar um homem que me amasse e respeitasse...”. Conclusão: nós temos o modelo de família para encantar o mundo e testemunhar do amor de Deus. Basta seguir os ensinamentos de Cristo. 3.Cultivando o romantismo Waldemiro era romântico, galanteador, carinhoso, e eu não podia ser diferente! Ele dizia que eu era a sua inspiração, e eu retribuía, chamando-o de “minha vida querida”, inspirada num conto de Malba Tahan — Ti Long Li. Nós não perdíamos a oportunidade de namorar. Nós já acordávamos felizes! Ele levantava mais cedo do que eu e, para me acordar, dizia: “Bom dia, meu amor! Você dormiu bem?”. Eu, de olhos fechados, respondia: “Ainda estou dormindo!”. Aí ele dizia: “Então acorde, meu amor, pois eu já estou com saudades de você!”. Dava pra resistir? Nos meus aniversários, eu acordava com ele de joelhos ao meu lado, orando e agradecendo por mim. No último dia dos namorados que passamos juntos ele chegou do trabalho com um lindo vaso de orquídeas, com um belo e doce cartão. Lembro-me de que ele contou sorrindo que a florista ficou admirada quando ele disse que queria as mais belas flores para sua namorada há mais de 33 anos! Nós amávamos estar juntos, conversar, elogiar um ao outro... No dia do culto fúnebre, o Pr. Israel Belo disse que conhecia Waldemiro de duas maneiras: uma por meio do relacionamento que eles tinham, e outra, por meio do que eu falava do meu marido. Ele disse que o que eu falava sobre Waldemiro deixaria qualquer marido honrado. Minha mãe sempre diz, orgulhosa e emocionada, que todas as vezes que Waldemiro falava com ela, dizia: “Agradeço à senhora por ter tido a minha mulher — a mais bela e maravilhosa deste mundo!”. 4.Cultivando o amor entre e com os filhos Deus nos deu dois filhos maravilhosos. Apesar de muito ocupado, Waldemiro não descuidava dos filhos. Sempre que podia, ele deixava tudo e saía com os dois. Quando eles eram bem pequenos, ele os levava para passear juntos. A partir dos cinco anos, mais ou menos, além de sair com os dois, ele saia com cada um individualmente. Os meninos amavam sair com o pai para conversar. Ele fez isso até o fim. Hoje, eles dizem que gostariam de ouvir o pai sobre esse ou aquele assunto, e sentem muita saudade. 5.Trabalhando juntos Nós só nos separávamos quando ele viajava para o exterior ou para algum lugar do Brasil, a que eu não podia acompanhá-lo. Tudo que era possível fazer juntos nós fazíamos. Entre nós não havia rivalidade nem competição. Eu sentia um prazer inenarrável quando ele me telefonava e dizia: “Meu Bem, eu estou precisando de sua ajuda”. Não tinha audiência nem autoridade que me impedisse de atendê-lo. Todo mundo que trabalha comigo sabia que o meu marido era a prioridade máxima na minha vida! Ele sabia que podia contar comigo para qualquer coisa. Eu digitava os sermões dele, estudava os sermões com ele, fazia faxina nas casas que nós conseguíamos para hospedar missionários, fazia almoço para os membros da Junta, durante as reuniões na sede; fazia promoção etc. Eu só não fiz batismo nem servi ceia! Até oração de consagração de missionários eu já fiz, certa vez em que ele não estava no Rio! Em 1989, pouco tempo depois de operado de câncer, ele foi pregar numa Associação, que se reuniu na Igreja do Fonseca, em Niterói. Ele ainda estava fraco, mas não houve jeito de ele mandar outra pessoa em seu lugar. O calor estava escaldante. Nós chegamos cedo e ele ficou conversando com as pessoas que chegavam para o culto. Ele suava muito e eu comecei a me preocupar. Na hora em que ele ia para o púlpito, eu pedi para ir junto e combinamos que, se ele não se sentisse bem, ele faria uma introdução, daria um panorama da obra e passaria a palavra para mim, para que eu contasse experiências dos missionários. Ele concordou, e assim foi. Como suou demais, ele ficou desidratado e começou a sentir pontadas nos rins. Sem alternativa, passou a palavra para mim. Com o coração na mão, contei várias experiências dos missionários, e ninguém notou nada de anormal. Naquela noite, ele enfrentou uma das muitas crises renais que teve durante a vida. Waldemiro costumava escrever para os missionários, dando notícias do Brasil, da denominação, da família etc., a exemplo da carta que foi publicada no Jornal Batista, por ocasião de sua partida. Certa vez, uma missionária escreveu para ele dizendo que, lendo o que ele escreveu sobre nossa família, da maneira que nós dois e os nossos filhos nos relacionávamos, ela percebeu que a sua família não estava bem e pediu a nossa ajuda. III. UNIDADE COM OS COLEGAS, AMIGOS E IRMÃOS Waldemiro amava, admirava, respeitava e era leal aos colegas, amigos e irmãos em Cristo. Quando ele estava em casa, era comum recebermos pessoas para lanchar, almoçar ou jantar. Ele tinha um carinho especial com os idosos e estrangeiros. Como a unidade com os colegas, amigos e irmãos se manifestava na vida de Waldemiro? 1.Colocando-se no lugar do outro Waldemiro estava sempre empenhado em ajudar alguém. Quando seminarista, ele viveu uma experiência que o marcou profundamente. Ele fazia um trabalho de férias pelo interior de Goiás e, certo dia, andando por um lugar ermo, viu um casebre no meio do mato. Aproximou-se e observou que a porta estava semi-aberta. A casa era muito pobre, iluminada por um fifó — um candeeiro a querosene. Bateu palmas, mas ninguém atendeu. Pela fresta da porta, ele viu uma senhora idosa, enrolada em um lençol e sentada dentro de uma bacia. Quando se virou para ir embora, viu aproximar-se um senhor com um feixe de gravetos nas mãos. Ficou sensibilizado quando soube que aquele senhor era João de Deus, outrora um grande evangelista de Goiás. A mulher era a esposa dele, cega e doente. Logo que nos casamos, Waldemiro me deu um livreto chamado Semeando a Boa Semente. O livro era sobre a vida desse grande servo de Deus. Ele me disse que a Convenção do Estado de Goiás tirou o casal daquela situação difícil e o ajudou até o fim de seus dias; porém, a imagem que ficou gravada em sua mente foi a de um servo do Senhor passando dificuldades. Ele tomou aquela experiência como uma lição para não permitir que algo semelhante acontecesse perto dele. Eu o apoiei integramente e pudemos ser bênção para muita gente. 2.Atento às necessidades do próximo Em nossas orações, rogávamos a Deus que nos usasse para abençoar os outros. Certa vez, ganhei um bom aumento no meu salário. Quando contei a novidade, ele me abraçou e disse: “Que bom! Poderemos abençoar mais pessoas!”. Num domingo pela manhã, nós estávamos na igreja e eu senti desejo de dar uma oferta para uma senhora viúva. Para ficar incógnita, dei o dinheiro através da líder do Departamento de Ação Social. À noite, a líder me disse que a irmã que recebeu a oferta praticamente exigiu que ela dissesse quem deu; assim, ela teve de falar o meu nome. Passaram-se vários anos e nunca a irmã falou comigo sobre o assunto. Certo dia, após ter ensinado a lição da EBD, ela me chamou e disse que há muito tempo ela queria me contar algo. Disse que, no dia que recebeu a oferta, ela estava com febre e preocupada porque deveria preparar salgadinhos para vender e pagar o condomínio. Triste e enfraquecida, ela recebeu o envelope da líder e, quando abriu, verificou que dentro tinha exatamente o valor do condomínio. Certa ocasião, um pastor pediu a Waldemiro para dar apoio a um seminarista de sua igreja, pois os pais o abandonaram, quando ele decidiu ir para o Seminário. Waldemiro arranjou estágio para o rapaz na Junta e lhe deu todo o apoio. Semanalmente, ele pegava as roupas do rapaz, levava para eu lavar e depois entregava a sacola com as roupas limpinhas a ele. Além disso, vez por outra, levava o rapaz para lanchar em nossa casa. Hoje ele é pastor de uma boa igreja. Um dia, Waldemiro estava na Junta e um pastor bem idoso telefonou para ele dizendo que sua esposa estava doente e ele não tinha a quem apelar. Na mesma hora, Waldemiro tomou providências para que a senhora fosse hospitalizada e tratada. Só descansou quando tudo ficou resolvido. Há uns três anos, Waldemiro foi a São Paulo para uma reunião com a Missão Inglesa — BMS —, e lá conheceu um africano muito doente, procurando ajuda para fazer um tratamento. Ele ficou tão penalizado, que comprou uma passagem de avião e levou o africano com ele para o Rio de Janeiro. Esse senhor ficou no Rio por quase um ano, fazendo fisioterapia, consultando médicos, tomando remédios, sem gastar nada, até que voltou para a África. 3.Sendo hospitaleiro Quase todos os estrangeiros que visitaram o Brasil e a Junta, na gestão de Waldemiro, estiveram em nossa casa. Ele tinha um carinho especial por eles, pois tinha sido estrangeiro, quando estudante, e sabia da importância de ser recebido na casa de alguém. Certa vez, logo no início de nosso ministério na Junta, nós recebemos 10 japoneses para jantar em nossa casa. Nesse dia, o Pr. Falcão Sobrinho jantou conosco. Eu fiquei sabendo do jantar quase em cima da hora e tive de “dar nó em pingo de cânfora na frente do ventilador” para me desincumbir da tarefa. Eram 13 horas, quando Waldemiro me avisou, e o jantar foi, mais ou menos, às 18 horas. Felizmente tudo deu certo, ele ficou feliz, e eu mais ainda! Em junho de 2005, ele levou 19 japoneses, liderados pelo Pr. Toghami, para almoçar em nossa casa. Dessa vez, eu pude planejar. Assim, até cardápio em japonês eu preparei. Waldemiro tinha um carinho especial pelos pastores aposentados e idosos. Ele não queria que eles se sentissem desprezados e procurava lhes dar a maior atenção. Uma vez, nós reunimos em nossa casa um grupo em que estavam dois pastores que tinham sido ícones da denominação. Ele teve o cuidado de convidar as esposas e outras pessoas do círculo de amizade desses pastores, para que eles se sentissem prestigiados e honrados. Foi uma noite memorável! CONCLUINDO Foi muito difícil preparar este testemunho. Falar de unidade sentindo-me mutilada foi um desafio! Como diz uma música popular, eu me sinto “avião sem asa, fogueira sem brasa, futebol sem bola, circo sem palhaço, Romeu sem Julieta, carro sem estrada”, enfim, eu não sou mais nada... Nunca imaginei, nem mesmo depois de tê-lo visto enfrentar o câncer, que eu ficaria sem o meu marido. Esses últimos nove meses têm sido muito tristes. Eu e meus filhos temos caminhado, exclusivamente, pela graça de Deus. Eu e Waldemiro queríamos que Cristo voltasse para nos levar juntinhos para o céu. Quando nós entoávamos o cântico de Rute, eu mudava o final e dizia: “nem a morte, a morte, separar-me-á de ti!”. É duro enfrentar o presente sem as delícias que eu vivi com o meu grande amor no passado. Saber que, nesta vida, não mais conversaremos, não veremos o luar, o pôr do sol, não andaremos na praia, não nos abraçaremos felizes nos aeroportos... A dor e o pesar massacram a minha alma profundamente. Só sinto alívio quando durmo. Sou imensamente grata a Deus pelo marido e filhos que Ele me deu. Sou grata a Deus porque eu, Waldemiro e os nossos filhos fomos um no Senhor e buscamos a unidade com os nossos irmãos em Cristo. O nosso lar foi, literalmente, um pedaço do céu na terra e, de certa forma, continua sendo, porque a lembrança de nosso amor está por toda a parte. Eu dizia para Waldemiro: “Meu Bem, o céu tem de ser muito bom, senão eu vou pedir para voltar para a nossa casinha...”. Queridos, graças a Deus, eu e meu marido vivemos plenamente com os nossos filhos, parentes e amigos. Não deixamos nada para depois. Entre nós não havia ciúme, insegurança, medo de que um se destacasse mais do que o outro. Caminhamos juntos, lado a lado, sonhando, sorrindo e chorando, mas frutificando para o Senhor, pois, como está escrito em Eclesiastes 4.9: “Melhor é serem dois do que um, porque há maior recompensa”. É reconfortante lembrar que servimos ao Senhor com alegria, não adiamos nenhuma gentileza, nenhuma declaração de amor, nenhum abraço; enfim, nada deixou de ser feito, dito ou vivido. Agora, eu vivo na esperança do reencontro. A única coisa que me traz alegria é imaginar a minha chegada ao céu. Depois que eu abraçar Jesus Cristo, a primeira pessoa que eu quero ver é Waldemiro. O meu desejo é que os irmãos sejam um com Deus, com seus cônjuges, com suas famílias e com os crentes em geral, para que o mundo creia que Deus enviou Jesus Cristo. Se até hoje não deu para experimentar essa bênção, que os irmãos comecem agora. “O segredo dos que triunfam é começar sempre de novo!”. Com Deus, os irmãos podem todas as coisas! Encerro este testemunho, com o qual eu pretendi homenagear o meu marido, com um soneto de Camões. Esse soneto expressa o que vai no meu coração: Alma minha gentil, que te partiste tão cedo desta vida descontente, repousa lá no Céu eternamente, e viva eu cá na terra sempre triste. Se lá no assento etéreo, onde subiste, memória desta vida se consente, não te esqueças daquele amor ardente que já nos olhos meus tão puro viste. E se vires que pode merecer-te alguma coisa a dor que me ficou da mágoa, sem remédio, de perder-te, roga a Deus, que teus anos encurtou, que tão cedo de cá me leve a ver-te, quão cedo de meus olhos te levou. Obrigada! Acidália Tymchak – Ajudadora do Pr. Waldemiro Tymchak |
Warning: include(includes/parte_baixo.php) [function.include]: failed to open stream: No such file or directory in /home/httpd/vhosts/opbb.org/httpdocs/documentos/acidalia2008.php on line 387 Warning: include(includes/parte_baixo.php) [function.include]: failed to open stream: No such file or directory in /home/httpd/vhosts/opbb.org/httpdocs/documentos/acidalia2008.php on line 387 Warning: include() [function.include]: Failed opening 'includes/parte_baixo.php' for inclusion (include_path='.:.:') in /home/httpd/vhosts/opbb.org/httpdocs/documentos/acidalia2008.php on line 387 |