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A MAÇONARIA E EU
Pr. Irland P. de Azevedo
Palestra originalmente apresentada aos pastores da Convenção Batista Goiana, num de seus retiros anuais. Aqui se encontra, mutatis mutandis, o esboço da palestra proferida, que agora dedico aos colegas pastores da Convenção Batista Carioca, em 28/09/2002 e aqui reproduzo para os irmãos da Igreja Batista Betel, de São Paulo, SP. (Palestra em 23/11/2002).
INTRODUÇÃO
Saber o que é a Maçonaria, a natureza mesma de seus ensinos e de suas implicações com a fé cristã foi bastante difícil até há poucos anos, pois o que se podia ler era marcado por preconceito ou prejuízo filosófico: autores de artigos e livros, ou eram antimaçons declarados, que nunca haviam pertencido à organização maçônica, mas tinham sua posição firmada, com base no que percebiam no crer e proceder maçônicos; ou autores maçônicos, apaixonados maçons, que defendiam ardorosamente a excelência da filosofia e da práxis de sua organização.
Só recentemente tem aparecido literatura mais confiável e produzida com rigor científico e fidelidade histórica. Obras escritas por maçons, por ex-maçons e por “experts” que se têm aprofundado no estudo dessa organização.
Quero de logo esclarecer que não sou um “expert” em Maçonaria, não sou maçom, nunca fui convidado a pertencer à Maçonaria, (e até desconfio por que), mas sem paixão tenho procurado conhecer virtudes e fraquezas dessa organização, e venho oferecer, portanto, o que penso, preferindo para minha contribuição o titulo de A MAÇONARIA E EU.
Esta palestra cuida de minha atitude em relação à Maçonaria, em dois momentos de minha vida: na juventude e nos anos de minha maturidade. Por isso, o título que escolhi para este trabalho despretensioso foi “A Maçonaria e Eu”.
A MAÇONARIA PARECEU-ME, EM MINHA JUVENTUDE, UMA ORGANIZAÇÃO SÉRIA E ÚTIL
Por que?
Por sua posição na defesa da liberdade religiosa.
Por sua contribuição na elaboração constitucional do Brasil.
Por sua acolhida, ou a de seus membros, aos primeiros batistas, em nossa terra.
Pela solidariedade que cultiva em relação aos seus membros.
Pelas exigências de natureza ética que faz (ou que costumava fazer) para os desejosos de nela ingressarem.
Pela seriedade de alguns de seus ilustres membros, que laboraram como pastores, missionários e líderes “leigos” em nossas igrejas.
Por sua postura de co-beligerantes dos evangélicos, contra as pretensões de dominação da Igreja Católica.
A MAÇONARIA COMO A VEJO NOS ÚLTIMOS 30 ANOS DE MINHA VIDA CRISTÃ E MINISTERIAL
Leituras em obras da Maçonaria e sobre ela, observação e reflexão fazem-me adotar a seguinte postura, em relação à Maçonaria, hoje.
Considero a Maçonaria como uma entidade séria, a apresentar uma considerável folha de serviços à humanidade e ao Brasil, mas que, do ponto de vista filosófico, teológico e bíblico, não pode merecer minha lealdade e - é minha opinião - não deve merecer a lealdade de um verdadeiro cristão evangélico.
Pelas razões a seguir.
A Maçonaria, embora não pretenda, constitui por seus ritos e sua doutrina, uma religião sincrética e desmerecedora de verdades básicas e inegociáveis da fé crista.
A Maçonaria reivindica de seus membros lealdade e dedicação incompatíveis com o compromisso exclusivo que a Igreja de Jesus Cristo deve merecer de mim, e dos verdadeiros cristãos.
A Maçonaria ensina, por exemplo, a possibilidade de alguém entrar no Céu (na “Loja Celestial”, segundo sua linguagem), pela excelência de suas obras, quando a Bíblia afirma que ninguém será salvo pelas obras, pois a salvação só é possível por meio de Jesus Cristo. (Ef 2.8-10)
Como sociedade secreta, a Maçonaria contraria um elemento básico do Cristianismo que é a revelação da verdade, em sua plenitude, pois só a verdade liberta. “E conhecereis a verdade, e a verdade vos libertará”, disse Jesus. (Jo 8.32)
A Maçonaria faz-se uma religião, na medida em que adota ritos, símbolos, dogmas, mistérios, emprestados muitos deles do judaísmo e do paganismo, como se fora uma soma das religiões, o sumo das religiões da terra, identificando com o Deus verdadeiro divindades pagãs como Brahma, Buda, Alá, Zumbi e outros seres. Sabemos que o Deus revelado na Bíblia não suporta ser servido com outros deuses. (Dt 6.15)
A Maçonaria denomina Deus de grande Arquiteto, não de Criador ex-nihilo, como no-lo apresentam as Escrituras Sagradas. (Gn 1.1)
A Maçonaria pretende saber e ensinar o que não se conta nos Evangelhos: por exemplo, a presença de Jesus, entre os 13 e 30 anos, no Tibet. Afirmam que Jesus, saindo do convívio com os “veneráveis monges”, passou a ensinar o que aprendera com eles...
Não é o que dizem os Evangelhos. É, portanto, intolerável esse ensino, ou essa pretensão, para quem na Bíblia Sagrada tem sua única regra de fé e conduta.
POR QUE NÃO SOU MAÇOM
Não sou maçom porque entendo que em Jesus Cristo e Sua Igreja tenho tudo de que preciso como pessoa: uma doutrina sólida, uma família solidária e razão para viver e servir.
Não sou maçom porque minha lealdade a Jesus Cristo e sua igreja é indivisível, exclusiva e inegociável.
Não sou maçom porque entendo serem incompatíveis com os ensinos da Bíblia e da teologia cristã, ritos, símbolos, atos iniciáticos e compromissos da Maçonaria.
Não sou maçom porque sou livre para falar e viver toda a verdade sobre que minha fé assenta, para vivenciar todo amor que a Palavra de Deus e o exemplo de Jesus Cristo me inspiram, e para servir, firme na esperança da volta gloriosa de Jesus, ou de minha entrada em Sua presença, não por causa das boas obras que haja praticado - pois são decorrência da salvação - , mas pelos méritos de Jesus Cristo, no Calvário.
Não sou maçom porque creio que nenhuma filosofia, nenhuma teosofia, nenhuma invenção do engenho humano podem substituir ou suplantar a riqueza das Sagradas Escrituras, a simplicidade e beleza do Evangelho da Graça de Deus e a beleza da Igreja, como a mais gloriosa entidade, Noiva de Jesus Cristo, vivência da Humanidade deutero-adâmica.
Não sou maçom. Mas amo os maçons e desejo para eles a verdadeira fé em Jesus Cristo e a salvação que só Jesus pode dar.
Não sou maçom. E pelas razões que exponho, ao abrir-se minh’alma, desencorajo os crentes a se tornarem maçons e apelo aos irmãos que se tornaram maçons, a repensarem sua posição e a abandonarem a Maçonaria, pois Jesus Cristo requer e merece nossa inteira lealdade.
Respeitarei a decisão dos que resolverem manter-se na Maçonaria, estimulando-os, no entanto, a refletirem sobre o que lhes digo nesta palestra e sobre obras importantes que têm sido produzidas, por fiéis homens de Deus, sobre o mesmo tema.
CONCLUSÃO
Esta é minha contribuição ao debate sobre o tema O Crente e a Maçonaria, esperando que tenha ajudado cada crente a pensar e a decidir sobre a questão.
Se conseguir incentivar à inteira lealdade a Jesus Cristo e à Sua Igreja todos os pastores e membros de nossas igrejas, dar-me-ei por feliz e compensado.
Louvado seja o Senhor Jesus Cristo!